O piracuí Tamuá no AmazonTech

Bolinhos de piracuí Tamuá na oficinaA Amazontech é uma feira anual de tecnologias da região Norte do Brasil realizada pelo SEBRAE/TO. Este ano foi a 7ª edição e teve como tema “Novos Rumos para a Ciência, Tecnologia e Negócios Sustentáveis” contou com a participação dos 9 Estados da Amazônia Legal: Pará, Amapá, Maranhão, Rondônia, Tocantins, Amazonas, Acre, Roraima e Mato Grosso.

O objetivo do evento foi estimular a pesquisa aplicada ao interesse de pequenos negócios sustentáveis, buscando inovação e ampliação de mercados, articulando e apoiando políticas públicas para o desenvolvimento da região Norte. Buscando a promoção do desenvolvimento sustentável e o uso consciente dos recursos naturais renováveis da Amazônia, foram realizadas a Rodada de Negócios e a Rodada de Projetos , oportunidades de obtenção de financiamento para atividades que busquem o desenvolvimento sustentável na Amazônia. O Evento ofereceu aos participantes contato com os projetos selecionados, através da exposição das novas tecnologias, palestras e oficinas, venda de artesanato, ecojóias e cosméticos produzidos nos Estados que compões a Amazônia Legal.

O piracuí Tamuá foi presente no Amazontech, graças à participação do Grupo de Estudos e Extensão em Qualidade e Inovação Tecnológica do
Pescado (GETEP) da Universidade de São Paulo, que está desenvolvendo o projeto: “Piracuí: padronização do produto, legalização da sua denominação e estudo de mercado consumidor”.

As representantes do GETEP (Luciana Kimie Savay-da-Silva, Carla Paes Martins e Érika da Silva Maciel), além de apresentar o produto e as suas características na rodada de projetos, tiveram a oportunidade de levar-lo numa oficina de aplicação prática, que foi realizada no Caminhão Escola do Senac, com a presença do Chef Henrique e dois de seus alunos que auxiliaram no processo.  Durante a oficina foram realizados os bolinhos de piracuí. Além de gostar muito da iguaria, os participantes se interessaram por saber mais sobre o produto.

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Piracuí entra na Arca do Gosto

Piracuí. Foto de Neide RigoA Comissão Brasileira da Arca do Gosto, durante o seu encontro em São Paulo (21 e 23 de maio), incluiu o piracuí na prestigiosa lista. Hoje, 24 produtos brasileiros integram a Arca do Gosto; destes, quatro vêm do mar ou do rio, e, entre eles, o piracuí, que é o primeiro produto processado de origem animal a ser eleito.

A Arca do Gosto, instituída e mantida por Slow Food, “é um catálogo mundial que identifica, localiza, descreve e divulga sabores quase esquecidos de produtos ameaçados de extinção, mas ainda vivos, com potenciais produtivos e comerciais reais”.

A decisão confirma a importância da conservação deste produto e incentiva nos desafios relacionados à qualificação, viabilização da comercialização e fortalecimento das organizações dos/as pescadores/as que o produzem.

Se você quer participar desta empreitada, escreva logo para nós.

A decisão da Comissão chega poucos dias antes da abertura da grande quermesse dedicada inteiramente ao mar e ao rio, à biodiversidade que neles se encontram e, sobretudo, aos povos que deles e com eles vivem, os pescadores artesanais: Slow Fish.

Ver a página da Arca do gosto dedicada ao piracuí.

Artesanato de Santo Antonio

Agora no blog Tamuá uma seleção de peças de artesanato do Santo Antonio (Resex Renascer, Prainha).

O artesanato de Santo AntonTamuá. Artesanato de Santo Antonio 2010io é realizado usando madeira caída, de espécies nobres, que, apesar da intensa depredação das madeireiras, estão ainda presentes na região.

A primeira linha que apresentamos aqui é constituída de acessórios domésticos: tigelas e bandejas; objetos lindos, mas discretos, para decorar uma sala ou uma mesa. Ao lado destas peças, a luminária Matapí, já conhecida na região, por transformar o apetrecho de pesca do camarão, em um original abajur.

Se tiver interesse nos produtos, ente em contato.

Explora a galeria de produtos.

Viagem na Itália: intercâmbios e novas parcerias

Entre o dia 12 e o 25 de outubro Ivonete Queiroz (Resex Renascer e Colônia de Pescadores, Prainha) e Ana Santana (Sindicato dos Trabalhadores e das Trabalhadoras Rurais de Oriximiná) estiveram na Itália. A passagem foi proporcionada por Slow Food, para a participação à Terra Madre; na semana  anterior ao evento, a ONG Fratelli dell’Uomo organizou um roteiro, em diferentes regiões da Itália, para proporcionar intercâmbios e novas parcerias.

Segue uma sucinta descrição da viagem.

12/10 (ter.)

Encontros e visitas de experiências de agricultura orgânica, comercialização direta, beneficiamento de produtos, unidades de produção (fattorie) sociais.
Na Região Veneto, visita à localidade Santa Maria di Sala e arredores. Almoço com Luca, Andrea e Livio (Associação Italiana de Agricultura Organica – AIAB e Escola experiencial).
Visita à propriedade de Andrea (Madre Terra) com cultivos orgânicos e venda direta.
Visita à propriedade do Livio, com criação de gado e transformação dos produtos.
Pernoite na pousada rural (agriturismo) Papaveri e papere.

13/10 (qua.)

Viagem à Bassano del Grappa e visita à Conca d’Oro, propriedade orgânica social (com inserção de pessoas com problemas psiquicos), que está se tornando uma cooperativa. A visita foi acompanhada por Michele Pattuzzi.
Visita a outra propriedade orgânica social (inserção de pessoas com habilidades diferentes). Visita aos diferentes setores, como: processamento de produtos, venda direta, atividades didáticas.

14/10 (qui.)

Visita do Delta do rio Po e reunião com Ente Delta (apresentação histórica do Ente, finalidades, organização, etc.) e visita à uma propriedade onde tem um espaço de turismo vivencial.
Visita ao centro de uma cooperativa de 150 produtores (máquinas de processamento, para venda nos mercados locais e internacionais).
Visita à uma antiga unidade de processamento da enguia, hoje museu e centro didático.

15/10 (sex.)

Participação ao encontro dos Estados gerais da água, em preparação da caravana da àgua na América Central, e breve apresentação da realidade do Baixo-Amazonas.
Visita à uma experiência de conservação do território (preservação, resgate das tradições, atividades educativas), realizada pela associação Legambiente; acompanhamento de Simona Colombo e Marzio Marzorati.

16/10 (sab.)

Visita ao centro histórico de Milano.
Visita à feira alimentar Kuminda e participação do encontro público sobre soberania alimentar, organizado por Fratelli dell’Uomo e Intervita; em seguida, apresentação teatral.

17/10 (dom.)

Pisa: Jantar/ reunião com GAS (Grupo de Compra Solidária) de Calci. Jantar com o grupo; projeção documentários sobre o Brasil.

Ana e Ivonete em visita à parque na Toscana. Outubro de 2010.

18/10 (seg.)

Firenze: reunião com Cospe (projeto Região Toscana).

Encontro com cooperativas sociais (como se cria uma cooperativa). Conversa sobre as necessidades dos STTRs no que diz respeito à capacitação, esclarecimento sobre os objetivos do trabalho dos STTRs.

Visita à consorcio de cooperativas Co&So e à uma cooperativa de agricultura social, onde trabalham também doentes mentais; palestra sobre o que é um consórcio e como se cria.

19/10 (ter.)

Reunião com Legambiente (como nasce um parque). Legambiente expressa a vontade de apoiar a formação da Resex Renascer mediante apóio técnico.

Visita Parque San Rossore.

20/10 (qua.)

Manhã: Lodi: reunião com representantes de sindicatos; visita ao parque natural do rio Adda.

Tarde: Como: reunião com Fórum Comasco para a Paz (formado por associações e municípios da província de Como).

21-25/10 (qui.-seg.)

Torino: Participação a Terra Madre.

Castanheira e a questão da tradição

Manuel Mora Loreira nasceu em 1959 em uma região do rio Guajará, que se tornou a primeira comunidade, denominada Ipitanga. O apelido dele é “Castanheira”, árvore de castanha-do-Brasil, porque quando era jovem, jogava muito futebol e cada vez que alguém queria chutar no gol, ele estava no meio, com o seu grande corpo.

Sr. Castanheira. 2010. Foto de Elisa Regueira

Sr. Castanheira. 2010. Foto de Elisa Regueira

Castanheira tem sete filhos – o que não surpreende, pois já ouvi falar de famílias com dezoito filhos. A família Loreira mora na região do Guajará há muitas gerações. Os primeiros três filhos são mulheres, que têm que assumir o papel do filho, que ajudaria o pai na casa, nos trabalhos com os barcos e outras coisas mecânicas.

Quando deixa o lar, ele manda assim: quando vocês terminarem de lavar a louça e as roupas, antes ou depois de ter preparado o almoço, têm que pegar no martelo, nos pregos e na serra, para fazer algum trabalho em casa.

Castanheira acha que o respeito das crianças diminuiu: as crianças fazem o que querem – brincam de bola, ficam fora, em vez de ajudar em casa. A fé não é mais o esteio da educação. Ele dá um exemplo: a sua filha maior mora na cidade Porto de Moz, e tinha muito pesadelo a noite. Castanheira perguntou-lhe: “Filha minha, qual foi a última vez que você foi para a igreja?”. Ela não sabia o que responder, e então nessa mesma noite foi à igreja, e dormiu bem, como nunca antes.

Piracui marca presencia no palco da gastronomia de São Paulo

A Semana Mesa SP, um dos mais importantes eventos gastronômicos da America Latina,  chega neste ano à sua 4ª edição; o tema deste ano é “O que a gastronomia pode fazer pelo planeta?”, o que mostra uma incipiente, mas sempre mais forte propensão do mundo da gastronomia a olhar “fora das paredes” do restaurante.

Depois de oito meses da degustação de receitas variadas no Restaurante Julia, organizado pelo Instituto Slow Food São Paulo, o piracui Tamuá volta às cenas na Semana Mesa SP, graças à uma receita do chef Gustavo Rocha, o Guga. A receita faz parte de um prato, e de uma palestra (Poke de filhote com guioza de piracuí ao molho de açaí), que comemora a figura do Paulo Martins, importante chef paraense, fundador do “Lá em casa”, recentemente falecido.

Guga mostrando o seu prato na Semana Mesa SP. S. Paulo, outubro de 2010. Foto de Elise Racicot

Guga mostrando o seu prato na Semana Mesa SP. S. Paulo, outubro de 2010. Foto de Elise Racicot

“Eu não quis fazer culinária paraense – comenta o Guga – tentando imitar o maestro, mas sim unir tradições diferentes e valorizar produtos da Amazônia…. Ás vezes nós procuramos produtos de fora, e não conhecemos as matérias primas brasileiras, interessantíssimas”.

Dito-feito: o prato, “Poke de filhote” com “Gyosa de piracui ao molho de açaí” une ingredientes amazônicos e culinária oriental, inovando, e ao mesmo tempo exaltando os gostos dos produtos originais. E, para propiciar um conhecimento não só do produtos, mas do contexto nos quais eles nascem, foi dado na palestra amplo espaço para apresentar um pouco da população das comunidades da Resex Renascer e do seu entorno e de onde o piracui vem.

Poke de filhote com guioza de piracuí ao molho de açaí, outubro de 2010. Foto de Elise Racicot

Poke de filhote com guioza de piracuí ao molho de açaí, outubro de 2010. Foto de Elise Racicot

Edna e a situação médica na floresta

Às vezes Edna precisa sair de barco, correndo rio acima ou rio abaixo. Ela não é enfermeira, mas é considerada uma ajuda médica para o posto de saúde da comunidade Santíssima Trindade, que dista duas horas de barco.

As viagens para cima ou para baixo do rio numa canoa com motor de popa são prazerosas: você pode ver amplas aberturas na floresta, e, poucos segundos depois, ser circundado pelas palmeiras do açaí, aí você passa pelas partes mais escuras do rio, onde a mata se fecha em cima de você, deixando só uma pequena galeria para passar.

Andar no rio Tamuataí é misterioso e bonito ao mesmo tempo. Mas, a maior parte das vezes, quando Edna tem que sair, não é para diversão. Pega o caminho para visitar pessoas que moram na floresta rio acima, até duas horas de barco da sede da comunidade.

Pesagem da criança em Santo Antonio. 2010. Foto de Elisa Regueira

Pesagem da criança em Santo Antonio. 2010. Foto de Elisa Regueira

A enfermeira Edna soube de três irmãos que não foram à escola ontem; ela tem medo que estejam com malária. Portanto decide visitar a família para ver se está tudo em ordem, e para oferecer ajuda. As famílias que moram rio acima não tem como ir ao médico na Santíssima Trindade cada vez que um membro da família não se sinta bem. Eles utilizam principalmente os bons remédios caseiros, um bom chá, algumas plantas e acham que cada pequeno problema possa ser resolvido desta forma.

Cada comunidade, longe do posto médico, tem um acompanhamento médico, realizado por uma pessoa, incumbida de pesar as crianças, para ver se estão desnutridas, cuidar da dengue e da malária. Apesar disso, se a pessoa está seriamente doente, a assistente médica Edna não pode realmente ajudar. Ela não tem remédios, não tem nenhum instrumento médico, nem band-aid. A única coisa que ela pode dizer para os seus pacientes é aconselhá-los a ir à Santíssima Trindade, ou até o hospital de Prainha, ou se precisarem esperar… que tomem chá até passar as dores.

O mel de abelha nativa Tamuá envolve o Circolo Italiano

Os parcipantes à palestra sobre abelha nativa sem ferrão e mel Tamuá, no Circolo Italiano. Outubro de 2010. Foto: Luca FanelliNa noite do dia 6 de outubro, uma aconchegante sala do Circolo Italiano (São Paulo) lotou de gente – principalmente italianos, ou descendentes de italianos, mas não só – para conhecer, teórica e praticamente o mel de abelhas nativas sem ferrão. Para muitos, a existência destas abelhas era uma novidade.

O encontro, promovido pela Associazione dei Piemontesi nel Mondo di São Paulo, surgiu de uma idéia do presidente da Associazione, Giovanni Manassero, e de Luca Fanelli. A palestra sobre as abelhas nativas, e as questões sociais, econômicas e ambientais relacionadas à estas, bem como sobre as características do mel, foi ministrada pelo mesmo Luca (baixar aqui a apresentação, em italiano). Além das questões gerais, a palestra teve um foco no “convidado especial” da noite, o mel de jandaira Tamuá, produzido pelas comunidades do Vira Sebo e do rio Guajará, na região da resex Renascer (município de Prainha, Amazônia, Pará).

O jantar no restaurante do Circolo Italiano após a palestra. Outubro de 2010. Foto de Luca FanelliEm seguida, Cénia Salles, lider do Convivium do Slow Food de São Paulo apresentou a filosofia e as atividades de Slow Food, dando destaque para as fortalezas brasileiras e o iminente Terra Madre.

A noite continuou com um ótimo jantar convival no restaurante do Circolo, que se encerrou com a degustação do mel Tamuá, apreciado por muitos pelo paladar intenso, levemente cítrico e frutado.

Protegido: Programação viagem na Itália

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Um dia típico na comunidade de Santo Antonio – 2ª parte

No Santo Antonio. Foto de Elisa Regueira

No Santo Antonio. Foto de Elisa Regueira

Terminado o almoço, bem satisfeitos, ficam a redor da mesa, fumam um cigarro, tomam café, falam um pouco sobre as novidades, a natureza do mundo e, às vezes, sobre Deus. Não ficam muito tempo; sempre tem algo para fazer. Dois homens vão para a mata para buscar carne para o dia seguinte; se não encontrar nada, não importa – sempre pode se encontrar um peixe ou, de noite, pode ir um pouco mais longe e pegar um jacaré [esta abundância é própria de uma estação do ano só].

Mas o jacaré não pode ser visto de tardinha. Para esperar a hora de sair ficamos na cozinha de Edna, uma das três que tem luz elétrica na comunidade. Em um canto os rapazes querem brincar de “sueca”, enquanto na mesa Fredivaldo prepara o urucum, o gengibre e o jenipapo para fazer tatuagens. Fredivaldo aprendeu as cores com os índios. E, como os índios, saem na noite, com uma zagaia aguda, para a tocaia do jacaré.