Castanheira e a questão da tradição

Manuel Mora Loreira nasceu em 1959 em uma região do rio Guajará, que se tornou a primeira comunidade, denominada Ipitanga. O apelido dele é “Castanheira”, árvore de castanha-do-Brasil, porque quando era jovem, jogava muito futebol e cada vez que alguém queria chutar no gol, ele estava no meio, com o seu grande corpo.

Sr. Castanheira. 2010. Foto de Elisa Regueira

Sr. Castanheira. 2010. Foto de Elisa Regueira

Castanheira tem sete filhos – o que não surpreende, pois já ouvi falar de famílias com dezoito filhos. A família Loreira mora na região do Guajará há muitas gerações. Os primeiros três filhos são mulheres, que têm que assumir o papel do filho, que ajudaria o pai na casa, nos trabalhos com os barcos e outras coisas mecânicas.

Quando deixa o lar, ele manda assim: quando vocês terminarem de lavar a louça e as roupas, antes ou depois de ter preparado o almoço, têm que pegar no martelo, nos pregos e na serra, para fazer algum trabalho em casa.

Castanheira acha que o respeito das crianças diminuiu: as crianças fazem o que querem – brincam de bola, ficam fora, em vez de ajudar em casa. A fé não é mais o esteio da educação. Ele dá um exemplo: a sua filha maior mora na cidade Porto de Moz, e tinha muito pesadelo a noite. Castanheira perguntou-lhe: “Filha minha, qual foi a última vez que você foi para a igreja?”. Ela não sabia o que responder, e então nessa mesma noite foi à igreja, e dormiu bem, como nunca antes.

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