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O mel de abelha nativa Tamuá envolve o Circolo Italiano

Os parcipantes à palestra sobre abelha nativa sem ferrão e mel Tamuá, no Circolo Italiano. Outubro de 2010. Foto: Luca FanelliNa noite do dia 6 de outubro, uma aconchegante sala do Circolo Italiano (São Paulo) lotou de gente – principalmente italianos, ou descendentes de italianos, mas não só – para conhecer, teórica e praticamente o mel de abelhas nativas sem ferrão. Para muitos, a existência destas abelhas era uma novidade.

O encontro, promovido pela Associazione dei Piemontesi nel Mondo di São Paulo, surgiu de uma idéia do presidente da Associazione, Giovanni Manassero, e de Luca Fanelli. A palestra sobre as abelhas nativas, e as questões sociais, econômicas e ambientais relacionadas à estas, bem como sobre as características do mel, foi ministrada pelo mesmo Luca (baixar aqui a apresentação, em italiano). Além das questões gerais, a palestra teve um foco no “convidado especial” da noite, o mel de jandaira Tamuá, produzido pelas comunidades do Vira Sebo e do rio Guajará, na região da resex Renascer (município de Prainha, Amazônia, Pará).

O jantar no restaurante do Circolo Italiano após a palestra. Outubro de 2010. Foto de Luca FanelliEm seguida, Cénia Salles, lider do Convivium do Slow Food de São Paulo apresentou a filosofia e as atividades de Slow Food, dando destaque para as fortalezas brasileiras e o iminente Terra Madre.

A noite continuou com um ótimo jantar convival no restaurante do Circolo, que se encerrou com a degustação do mel Tamuá, apreciado por muitos pelo paladar intenso, levemente cítrico e frutado.

Mel de abelha nativa da Amazônia

O mel de abelha nativa da Amazônia Tamuá é de cor amarela clara, quase líquida. O perfume é intenso, de licor. O sabor junta o doce e o levemente acído.

Quanto mais tempo fica maturando, mais intenso é o gosto.

O mel Tamuá, produzido na região de várzea na comunidade de Vira Sebo, é na sua maior parte da abelha chamada popularmente na região de jandaira (Melipona compressipes); a florada é variada.

Recentemente foi realizado um estudo sobre o mel Tamuá. O laudo foi fornecido pelo Laboratório de Produtos Apícolas do Centro de Estudos de Insetos Sociais (CEIS) da UNESP de Rio Claro – SP, com a supervisão do Prof. Osmar Malaspina, biólogo, e apoio do pesquisador Jerônimo Villas-Bôas.

Considerando que não existem, até hoje, parâmetros legais que regulamentem o comércio do mel de abelhas, apresentamos aqui os resultados do laudo fornecido pela UNESP, comparados com uma proposta de parâmetros para controle de qualidade desenvolvida pelos pesquisadores Villas-Boas e Malaspina em 2005.

O mel Tamuá satisfaz todos os parâmetros.

Parâmetro Villas-Boas & Malaspina** Mel Tamuá *
Açucares redutores (%) min 50 55,3
Umidade (%) max 35 25,7
Sacarose (%) max 6 2,9
Sólidos insolúveis (%) max 0,4 0,3
Sais minerais (%) max 0,6 0,1
Acidez (mEq/KG) max 85 39,5
Atividades diastática (EG) min 3 10,3
HMF, hydroximetilfurfural (mg/Kg) max 40 0

* Clique aqui para visualizar o laudo.

** Clique aqui para visitar a página da revista do artigo: Jerônimo Kahn Villas-Bôas, Osmar Malaspina, Parâmetros fisico-químicos propostos para o controle de qualidade do mel de abelhas indígenas sem ferrão no Brasil, «Mensagem Doce», 82, jul., 2005.