Piracuí

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O piracuí (do tupi: pira = peixe + cuí = farinha) é um derivado do peixe, produzido a partir de diferentes espécies; o mais comum é o acari, mas também se faz piracuí de tamuatá, de cujuba e até de tambaqui (ver em baixo para uma apresentação do acarí). Se bem armazenado, tem ótima durabilidade, não perdendo o seu sabor característico. O produto tem elevado aporte protéico, pode ser consumido puro, ou usado como ingrediente para variados pratos; entre eles: bolinhos de piracuí, sopas e massas, farofas.

O piracuí é uma forma tradicional de conservação do peixe, que remonta ao período anterior à chegada dos portugueses (cf. Miller e Nair, 2006). Apesar de ser atestada quer na bacia amazônica, quer nas regiões litorâneas do sudeste do Brasil (cf. Staden, 1557), hoje a produção se concentra na região de Manaus, no Amazonas, e na região a jusante de Santarém, no Pará. É nesta última região que se encontra a comunidade de Vira Sebo, parte da Comunidade do Alimento Tamuá.

A região da foz do Uruará, de várzea, rica de lagos e paraná, tem uma longa tradição na produção do piracuí. Os pescadores e as pescadoras do Vira Sebo fabricam um piracuí de alta qualidade, com as técnicas tradicionais e preservando o meio ambiente. Depois de pescado, o peixe é cozido ou assado, descascado e desfiado; em seguida é desfiado e torrado em fornos abertos, sempre mexendo nele.

Piracuí de acarí cozidoPiracuí de acarí: Com cheiro intenso de peixe, este piracuí se destaca para a consistência fofa, com fibra média, e pelo gosto pleno. E’ um clássico.

Piracuí de acarí assado: As características deste piracuí em todo parecem com o cozido; se distingue porém pelas lembranças de assado que podem se saborear.

Piracuí de tamuatá: As particularidades deste piracuí especial são a consistência solta, que aumenta o prazer de come-lo sozinho, o cheiro e o gosto suaves, o sabor agradável que deixa na boca.

Acari e tamuatá

O acari ( Lipossarcus pardalis ) e o tamuatá (Callichthys callichthys, na foto Tamuatá) caracterizam-se pelo corpo revestido de placas ósseas; vivem nos fundos dos rios, de ordinário em lugares rochosos ou de lama, e alimentam-se de lodo, vegetais e restos orgânicos em geral. Além da respiração branquial, consegue assimilar oxigênio da atmosfera.

Na época que os rios secam, uma grande quantidade dele fica presa dentro o barro e, de forma geral, se tornam muito abundantes.

Existe também um período do defeso, quando eles estão em período de reprodução, entre dezembro e março (IN: 22.2005 e DOU: 06/07/2005 do IBAMA). O desrespeito do defeso e a pesca predatória estão pondo em risco a conservação destas espécies únicas.

Para mais informações técnicas sobre o piracuí (composição nutricional, fluxograma de produção, cadeia produtiva), ir aqui.

Bibliográfia citada

MILLER, R. P., NAIR, P. K. R. (2006). Indigenous agroforestry systems in Amazonia: from prehistory to today. Agroforestry Systems, v. 66, n. p. 151-164

STADEN, H. (1557). Viagem ao Brasil. Rio de Janeiro: Officina Industrial Graphica

Uma resposta para “Piracuí

  1. jose roberto andrade

    muito melhor que bolinho de bacalhau e muitissimo mais barato tb

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