Bem-vindos a Tamuá

A viagem para alcançar a comunidade de Santo Antonio (Pará) é longa. A cidade mais próxima, onde passam barcos de linha, é Prainha, no rio Amazonas. Depois, dependendo do barco, uma pequena “rabeta” (canoa com motor) ou uma lancha, precisa de 5 a 7 horas para chegar a comunidade, que pertence à região dos rios Guajará, Tamataí e Uruará, onde, em 17 comunidades, vivem mais ou menos 673 famílias.

Tem dois ecossistemas locais bem diferenciados, a terra firme, caracterizada pela floresta e a planície inundada durante a estação chuvosa (várzea).

A população é organizada em comunidades, onde moram de 15 a 50 famílias.

A agricultura, o extrativismo, a pesca, a criação de gado são a base da economia, mas a importância destas atividades varia dependendo do lugar onde se encontra a comunidade: na terra firme as principais são o cultivo da mandioca e o seu processamento (farinha, tapioca, beijú, etc.); em segundo lugar vêm a coleta de produtos florestais (madeira, cipós e talas, breu, etc.), a agricultura e a pequena criação de gado; a pesca e a criação de gado são as atividades mais presentes na várzea. Uma outra importante fonte de renda são os empregos públicos (professor, agente de saúde, etc.), as aposentadorias e os programas de assistência social.

O acesso aos serviços básicos (educação, saúde, energia elétrica e água) é muito precário.

Não existem na região formas regulares de propriedade da terra. A partir de 2000 os madeireiros ilegais estão ocupando abusivamente áreas de floresta sempre maiores, tirando das comunidades um recurso econômico valioso; as balsas que transportam as toras poluem as águas dos rios; os madeireiros, cada vez mais próximos às casas, ameaçam os comunitários. Além disso, as geleiras clandestinas estão depredando os recursos de pesca há décadas; finalmente, os fazendeiros estão ocupando terras sempre mais extensas.

Para enfrentar estas agressões, nos últimos dez anos uma parte da população local está lutando para a criação de uma reserva extrativista (RESEX) , uma área protegida onde os recursos do rio e da florestas estão a disposição exclusiva da população local, que se compromete em usar-los de forma sustentável.

Nesta luta a população enfrenta o poder e a violência dos madeireiros, que, muitas das vezes, agem com a complacência das instituições locais. As empresas madeireiras, para explorar sem limites a floresta, cooptam as comunidades com promessas de ajudas, de energia elétrica, etc., criando divisões na população. A ação dos órgãos federais encarregados para a criação da reserva está atrasando demais e pode se tornar ineficaz. Hoje a reserva ainda não é realidade e isso continua ameaçando os recursos naturais a e vida da população.

O que acontece na região dos rios Guajará, Tamuataí e Uruará constitui hoje, mesmo nas especificidades dele, um exemplo da realidade de muitos lugares da Amazônia. As lutas para a defesa do meio ambiente e para o bem estar das comunidades baseiam-se em um modo de vida sábio, onde os moradores, usando parcamente, mas com grande experiência, os recursos naturais, sabem obter produtos de alta qualidade, no campo da agricultura, da pesca e do artesanato.

Para valorizar estes produtos e apoiar o direito a terra deste povo, estão sendo desenvolvidas várias ações por parte de organizações não governamentais nacionais e internacionais. Entre elas, podemos colocar o projeto de apoio a criação de abelhas nativas, da Colônia de Pescadores, os cursos de capacitação da Pastoral Social e o projeto Uirapuru, das organizações CEAPAC, CEFT-BAM e MAIS, co-financiado pelo Ministério dos Assuntos Exteriores da Itália. Este projeto, ativo desde 2005, apóia a comunidade de Santo Antonio na melhoria da qualidade e na comercialização do beijú (biscoitos da mandioca), do artesanato, já apreciado em nível nacional e fortalecido pelas contribuição de outros artesões e designer, o mel de abelha nativa e do piracuí, um delicioso derivado do peixe (estes últimos dois são produzidos na comunidade de Vira Sebo).

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